quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Você pode mudar o mundo

Sabe qual é a máquina com maior poder de processamento de dados no mundo? Seria uma engenhoca fabricada pela IBM? Pela Intel? Pela AMD? Não. A máquina com maior poder de processamento de dados do mundo é o cérebro humano. É você. Você é um super computador. Você é uma verdadeira máquina de aprendizado. Com seu cérebro, com sua inteligência, com sua criatividade, você pode mudar o mundo. A questão é: você está usando esse incrível poder computacional que possui dentro de si? Ou parou de aprender? Se você parou de aprender, meu caro(a), tenho uma má notícia: você parou no tempo.
O cérebro é capaz de coisas incríveis, e isso é insanamente notável na cabeça dos pequeninos. As crianças são seres muito inteligentes. Por quê? Ora, dentre outros motivos, porque elas, quando estão na fase de alfabetização, têm o poder nato de aprender qualquer idioma do mundo: português, inglês, mandarim, russo, grego, hebraico, tagalo, ou qualquer outro idioma.  E isso ocorre com absoluta naturalidade. É difícil para você aprender um idioma estrangeiro? Mas não seria igualmente difícil para uma criança de 4 anos fazer o mesmo? E se ela, apesar de tão tenra idade, consegue fazê-lo, por quê você não conseguiria também? A inteligência, felizmente, não é um dom reservado somente a quem tem determinado tipo de DNA, mas sim uma ferramenta prática, gratuita e fantástica, posta à disposição de qualquer ser humano, que serve para melhorar sua própria vida, em qualquer aspecto, e não somente no financeiro.
Pessoas que desenvolvem continuamente novas experiências de aprendizagem ao longo de toda sua jornada de vida naturalmente têm uma maior probabilidade de viverem mais, e com mais saúde, pois o cérebro é como qualquer outro músculo: se não for exercitado, ele se atrofia. Luzia de Maria, no magnífico livro O clube do livro: ser leitor – que diferença faz?, afirmou, com propriedade, que:
“A palavra que melhor caracteriza o cérebro é a plasticidade. A cada momento em que nos lançamos numa nova experiência, em que fazemos novos contatos – com pessoas ou conhecimentos e informações -, novas conexões neurais são estabelecidas e isso significa uma permanente reformulação no desenho de nosso mapa cerebral. O que somos agora, já não o seremos amanhã. O cérebro pode ser modelado. Tem a mesma propriedade da argila, do barro. [...]. Não há destino preestabelecido. Nós somos o maestro. Não há forma definitiva. Nós somos o artesão de nós mesmos. Não é formidável?” (p. 128-129)
E o que nós vemos no dia-a-dia é, muitas vezes, exatamente o contrário. Vemos pessoas acomodadas, com cérebros atrofiados, que, depois que alcançaram uma promoção ou uma estabilidade, no emprego privado ou no cargo público, pararam de aprender. Você conhece pessoas assim. Vemos pessoas que não têm o menor interesse em se lançar em novos desafios, em novos empreendimentos. Pessoas que não sabem um idioma estrangeiro, e mesmo assim, não se permitem fazer aulas para melhorar o seu grau de fluência nesse idioma. Vemos pessoas que, em vez de gastarem seu precioso tempo com coisas que importam na vida delas, preferem gastá-lo lendo revistas fúteis e assistindo noticiários que nada repercutirão na vida delas.
E tudo isso é muito triste e muito perigoso, porque o aprendizado, o conhecimento, modifica o comportamento. Vejamos um pequeno exemplo: uma pessoa começa a fumar. Fuma durante bons anos. Aí, de repente, vê um aviso de advertência numa propaganda de TV, que nunca tinha visto antes (exemplo radical): fumar faz mal à saúde. Será que esse registro não tem o poder de modificar o comportamento dessa pessoa? Conhecimento modifica comportamento. Quanto mais você aprende sobre uma coisa – sobre qualquer coisa -, mais você tem domínio sobre ela. Quanto mais você aprende sobre sua vida, em suas múltiplas dimensões (nutricional, financeira, intelectual, psicológica, espiritual etc.), mais você tem domínio sobre ela. Quem não gosta de aprender – ou quem não quer aprender – é dominado pela vida, ao invés de dominá-la. Em qual lado você prefere estar?
Uma das áreas em que isso talvez seja mais emblemático seja a de tecnologia. Se você nasceu no fim dos anos 70 e começo dos anos 80, viveu boa parte do começo de sua juventude sem Internet, celular e talvez até sem computador. Ora, sem Internet e sem computador, você nem estaria lendo esse blog! E, se você está lendo esse blog, é porque você, de alguma forma, em algum ponto do passado, teve que aprender a usar tanto a Internet quanto o computador. Por isso eu digo: não tenha medo de aprender. O processo de aprendizado, por definição, é um processo concebido para explorar o desconhecido. Em certo sentido, é uma aventura. Não tenha medo. Vá em frente.
No livro As 10 principais diferenças entre os milionários e a classe média, de Keith Cameron Smith, a diferença nº 6 aborda exatamente a temática que estamos tratando nesse artigo: os milionários aprendem e crescem sem parar, enquanto a classe média pensa que o aprendizado termina quando acaba a educação formal.  Smith aborda com bastante propriedade esse aspecto:
“Os milionários são estudiosos da vida. Eles continuam a aprender com as circunstâncias. Uma pergunta comum que fazem é: ‘o que posso aprender com isso?’ A classe média, por outro lado, se pergunta: ‘por que isso sempre acontece comigo?’. A pergunta ‘por que isso sempre acontece comigo?’ mostra que algo está acontecendo de novo. Uma situação ruim surge diversas vezes porque o conhecimento permanece inalterado. É necessário continuar a aprender e a crescer” (p. 55-56, com destaques no original).
Por falar em classe média, não poderia deixar de falar aqui que de nada adianta festejar a “ascensão” da classe média brasileira se não houver investimentos em educação financeira dessa mesma classe social, como muito bem apontado pelo Jônatas num excelente artigo do Efetividade.blog, denominado A real necessidade da “Classe C” brasileira:
“O que a classe C precisa, e cabe ao governo tal incentivo, é gastar mais em educação. O aumento de renda deve ser gasto para aumentar a base cultural da família e proporcionar constantes e sustentáveis aumentos da renda. Afinal, ganha mais quem conhece mais.
Eu nunca vi alguém dizendo que com o aumento da renda pôde adquirir mais livros, realizar cursos e participar de seminários. Também nunca vi alguém falando em investir parte da renda adicional, em economizar hoje pensando no amanhã”.
Na verdade, o valor do aprendizado, e aqui estamos falando especificamente do aprendizado financeiro, não produz resultados apenas entre diferentes classes sociais, mas também dentro de uma mesma classe social. O leitor Ricardo me enviou um excelente link de um artigo publicado no Valor, que citou um estudo realizado na Holanda, com famílias abastadas, em que mostrou que:
“Nas famílias holandesas em que o nível de informação sobre finanças pessoais é maior, a riqueza é quatro vezes superior à do grupo das famílias menos informadas financeiramente [apesar de ambas ostentarem o mesmo nível de riqueza financeira]“.
Somos criaturas moldadas pelos nossos hábitos. Ocorre que, justamente pela ausência de interesse em modificar nossos comportamentos, esses hábitos, muitas vezes, não passam de hábitos ruins, verdadeiros vícios, que podem gradativamente diminuir nossa qualidade de vida, se não buscarmos uma maneira de aprender coisas novas, destinadas a transformar esses vícios em hábitos, como, aliás, já escrevi em outro artigo, As pequenas coisas, feitas de modo constante, criam maior impacto.
Você precisa ser um curioso da vida, uma pessoa receptiva a testar novas ideias e experiências. Isso porque o futuro não é um quadro estático: pelo contrário, é um quadro dinâmico, que está sendo continuamente remodelado pelas ações de pessoas ávidas por transformações oriundas de novos conhecimentos, pessoas que agem a partir de habilidades adquiridas através de treinamento, preparação e ação. Continue aprendendo, a fim de estar preparado para as oportunidades que surgirão nessa nova etapa de sua vida!
É isso aí!
Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

Extraído de http://www.valoresreais.com/2011/11/07/se-voce-parou-de-aprender-voce-parou-no-tempo/

3 comentários:

  1. Eu copiei e colei esse texto e os links acompanharam. Acho que o ideal é que os links sejam excluídos, ou pelo menos que haja advertência de que eles apontam para "páginas externas" em razão da cota.

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  2. Talvez seja melhor colocar o aviso, mantendo a possibilidade da pessoa acessar os links.

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  3. A propósito, no curso que está sendo oferecido pela SGP as instrutoras apresentaram um vídeo que informava que até 2014 será fabricado um computador com mais capacidade de processamento do que a mente humana, e que até 2050 computadores de 1 mil dólares terão maior capacidade de processamento do que o conjunto da humanidade. Será?

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